Associações esboçam sentimento otimista com relação ao governo de Michel Temer. Abinee lista medidas para o Brasil sair da crise.

Ao longo dos últimos meses, diversas entidades setoriais de TI manifestaram apoio ou repúdio ao processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT). O processo avançou na Câmara dos Deputados e no Senado, culminando a nomeação de Michel Temer (PMDB) como novo presidente em exercício do país.

Confirmada a troca de comando, as entidades adotaram uma postura de cautela com relação ao fato. Procurada por Computerworld Brasil, a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) emitiu um comunicado oficial, no qual reforça sua expectativa de que a medida acabe com o impasse político.

“A posse do novo governo traz ânimo renovado para a conjuntura econômica que paralisou o País, prejudicando sensivelmente o setor industrial”, sugere a entidade, esperando que as primeiras medidas a serem adotadas priorizem o resgate da confiança na economia.

O órgão setorial acredita que o governo de Michel Temer conseguirá congregar o apoio necessário para a implantação de reformas, principalmente, aquelas que busquem a criação de um ambiente mais favorável na economia e que promovam a eficiência do Estado (corte de gastos correntes e melhor gestão dos recursos), além da racionalização e da simplificação do sistema tributário.

Segundo a Abinee, a indústria tem uma agenda definida para o Brasil sair da crise. Entre as iniciativas imediatas listadas estão a ampliação gradual do prazo de pagamento de impostos; valorização da negociação coletiva com força de lei; redução do depósito compulsório para ampliar o crédito aos consumidores e empresas; restabelecimento do Reintegra com alíquota de 3% e implementação de mecanismos de controle de gastos públicos (fixação de teto).

Procurada pela reportagem, a Assespro afirmou que não irá se pronunciar sobre o novo governo. Em meados de abril, porém, as lideranças da associação assinaram um artigo intitulado “Posicionamento das entidades não pode se misturar com interesses políticos”.

O documento era uma resposta a reações do mercado com relação a um manifesto assinado pela entidade, em conjunto com Abes, Brasscom e Fenainfo, que defendia o “respeito incondicional ao Estado Democrático de Direito”.

“As entidades representativas do setor de TI congregam milhares de empresas, nas quais atuam profissionalmente cidadãos que, de forma individual, possuem posições políticas antagônicas, por vezes ocupando cargos de liderança, convivendo de forma pacífica”, estampava o texto, divulgado dia 30 de março e que cobrava apuração da situação política.

No apagar das luzes

Arildo Constantino, presidente da Assesspro-SP, acredita em um cenário positivo com relação ao novo governo. “O setor estava parado. Acreditamos que o mercado vai reagir e mudar para melhor”, avaliou.

“Do ponto de vista econômico, entendemos que TI é transversal, ou seja, depende de outros setores para viver. Melhorando a economia, a indústria de tecnologia vai acompanhar o crescimento. Há otimismo com as mudanças”, comentou.

O executivo cita que o governo da presidente Dilma Rousseff deixa como legado positivo o Marco Civil da Internet. O documento aprovado “no apagar das luzes” do governo vinha sendo debatido nas esferas políticas brasileiras há diversos anos.

O líder da regional São Paulo da Assespro vê também com bons olhos a possível nomeação de Gilberto Kassab para a liderança do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações (fruto da fusão entre MiniCom e MCTI). “É bom ter um representante paulista. Além disso, ele é um técnico”, acrescenta.

Pesquisa e tecnologia

André Navarrete, presidente do Grupo de Gestores de TI (GGTI) e vice-presidente da Associação dos Usuários de Informática e Telecomunicações de Pernambuco (Sucesu), divulgou um artigo aconselhando que o novo presidente da república priorize investimentos em pesquisa e tecnologia.

Segundo o executivo, Michel Temer terá um duríssimo desafio pela frente e precisará reverter o descrédito dos empresários e consumidores na economia em um intervalo de três meses, a fim de que os negócios voltem a se aquecer. “Terá pouco tempo, mas uma grande base parlamentar, mais do que suficiente para aprovar reformas fundamentais ao país”, ponderou.

“Como milito há mais de duas décadas em tecnologia da informação, ouso fazer uma sugestão pública: dê prioridade à pesquisa e desenvolvimento, pois, sem isso, o Brasil continuará um grande exportador de commodities, porém não ocupará lugar de destaque nos produtos e serviços da nova economia”, reforçou.

Fonte: IDGNOW